Homilia Dominical

102

XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

O Rico insensato

Todos nós desejamos segurança, felicidade. Mas onde a podemos encontrar?

– Muitos a procuram nas COISAS, nos bens terrenos e, para isso, se dedicam febrilmente em empreendimentos grandiosos e lucrativos. Às vezes basta a simples visita de um ladrão, um fracasso nos negócios, o desemprego, uma doença… e lá se vai o que acumularam…

– Outros buscam segurança e felicidade nas PESSOAS, e quantas vezes acabam depois profundamente decepcionados. Percebem que, o que este mundo oferece, não é suficiente para estancar a sede de felicidade. Só Deus pode nos tornar plenamente felizes…

As Leituras bíblicas aprofundam essa Verdade: 

Não devemos colocar a nossa segurança em coisas passageiras; Pelo contrário, descobrir e a amar outros bens, que dão verdadeiro sentido à nossa existência e nos garantem a vida em plenitude.

A 1a Leitura lembra a situação insuportável do povo de Deus pela ganância dos poderosos de então. Isso levou o autor sagrado a afirmar:

“Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”. (Ecle 1,2; 2,21-23)

* Essa afirmação é atribuída a Salomão que, apesar de ser um rei sumamente sábio, rico e poderoso, lembrava que as coisas terrenas são passageiras, uma “bolha” de sabão e convidava ao desapego delas.

Na 2a Leitura, Paulo afirma que ser batizado é identificar-se com Cristo. Portanto renunciar ao egoísmo, ambição, injustiça, orgulho, morte e escolher uma vida de doação, de entrega, de serviço, de amor. Esse comportamento novo inclui uma maneira diferente de encarar a riqueza.  

“Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto e não às da terra.”  (Cl 3, 1-5.9-11)

No Evangelho, Cristo denuncia a cobiça e a preocupação exagerada pelos bens terrenos… (Lc 12,13-21)

– Um desconhecido pede a Jesus para resolver um problema de herança.

– Jesus se recusa, porque é difícil fazer justiça quando existe cobiça, ganância. E adverte: “Tomai cuidado contra todo tipo de GANÂNCIA, a vida de um homem não consiste na abundância de bens…”

– Para ilustrar essa verdade, conta a Parábola do RICO INSENSATO,   que construiu grandes celeiros para armazenar a colheita abundante, pensando assim ter segurança para viver tranqüilamente.

Pura ilusão: Naquela mesma noite veio a morrer e se apresentou de mãos vazias diante de Deus…

 – E Jesus conclui: “Assim acontece com quem guarda tesouros para si e não é rico diante de Deus.”

* O pecado foi “acumular apenas para si”. Não agradeceu a Deus, nem partilhou com os irmãos.

– É uma catequese de Jesus sobre os bens materiais. O dinheiro não é a fonte da verdadeira vida. A cobiça dos bens (o desejo insaciável de ter) não conduz à vida plena, não responde às aspirações mais profundas do homem. A ganância pelos bens terrenos é a causa de muitos males…

– Quantas brigas e divisões em família… na divisão da herança!

– Quantas lutas… para vencer o concorrente… e ter mais!

– Quantas fraudes, injustiças e corrupção… no desejo insaciável de bens!

– Quantas discriminações: porque as pessoas valem pelo que têm!

Pura ilusão: A fonte da vida está só em Deus e a morte nos convence dessa dura realidade…

Esta parábola não se destina apenas àqueles que têm muitos bens; mas destina-se a todos aqueles que (tendo muito ou pouco) vivem obcecados com os bens, orientam a sua vida no sentido do “ter” e fazem dos bens materiais os deuses, que condicionam a sua vida e o seu agir.

+ A Palavra de Deus nos questiona.

O ensinamento de Jesus toca em cheio os cristãos encantados com o capitalismo neoliberal e sua apologia do lucro e do acúmulo de bens. Ficam anestesiados diante das necessidades dos irmãos. Cristãos vivendo na riqueza, enquanto muitos irmãos na fé vivem na indigência, sem experimentarem a solidariedade dos seus irmãos e irmãs na fé abastados.

Hoje em dia é muito comum pôr tudo no seguro

Há seguro de vida para carros, roubos, incêndios, acidentes pessoais. A nossa vida, que continua na eternidade, também deve ser assegurada. Mas a vida eterna não pode ser assegurada com as riquezas desse mundo e sim com os tesouros reconhecidos por Deus. O dinheiro nos dá a falsa sensação de segurança.

O único fundamento seguro de nossa existência é Deus. E, nele, o próprio dinheiro adquire outro sentido: Não será mais instrumento de SEPARAÇÃO entre os homens, mas sim de COMUNHÃO, um sinal de amor…

Onde estamos depositando a nossa segurança e construindo a nossa felicidade?

Não nos esqueçamos: nosso coração foi feito por Deus, e apenas em Deus encontrará a verdadeira e plena felicidade…