Homilia Dominical

1633

XXVIII Domingo do Tempo Comum

Tema: AUTORIDADE, Privilégio ou Serviço?

Durante a sua vida, Cristo lutou muito contra um falso conceito de grandeza existente nos homens do seu povo e do seu tempo.

As Leituras bíblicas de hoje nos mostram a verdadeira grandeza, segundo o espírito trazido por Jesus.

 A 1ª leitura apresenta a figura de um “Servo de Deus”, insignificante e desprezado pelos homens, mas através do qual se revela a vida e a salvação de Deus. Lembra-nos que uma vida vivida na simplicidade, na humildade, no sacrifício, na entrega e no dom de si mesmo não é, aos olhos de Deus, uma vida maldita, perdida, fracassada; mas é uma vida fecunda e plenamente realizada, que trará libertação e esperança ao mundo e aos homens. (Is 53,10-11)

Na 2ª Leitura, o autor da Carta aos Hebreus fala-nos de um Deus que ama o homem com um amor sem limites e que, por isso, está disposto a assumir a fragilidade dos homens, a descer ao seu nível, a partilhar a sua condição. Ele não se esconde atrás do seu poder e da sua omnipotência, mas aceita descer ao encontro homens para lhes oferecer o seu amor. (He 4,14-16)

No Evangelho, em sua caminhada para Jerusalém, Jesus educa os seus apóstolos para a Missão e completa a sua catequese sobre as exigências do Reino e as condições para integrar a comunidade messiânica. Convida-os a não se deixarem impregnar pelos falsos conceitos de grandeza da época, mas a fazerem da sua vida um dom de amor e de serviço. Faz o 3º Anúncio da Paixão.  (Mc 10,35-45)

– Dois discípulos íntimos de Jesus lhe fazem uma pergunta estranha:

   “Mestre, faça que nos sentemos um à tua direita e

    outro à tua esquerda, na tua glória”.

– A resposta de Jesus foi taxativa: “Não sabeis o que pedis”…

E ironicamente acrescentou:

“Podeis beber o cálice que tenho de beber e

  ser batizado com o batismo que tenho de ser batizado ?”

  Era mais um anúncio da Paixão… E ser discípulo é ter a mesma sorte…

– E eles, sem entender o que, respondem: “Podemos”.

– Os demais Apóstolos reagem indignados, pois todos eles tinham as mesmas pretensões.

* A procura dos primeiros lugares pelos dois irmãos e a indignação dos outros dez apóstolos revelam a visão que tinham do Reino Messiânico. Jesus pensa na sua morte já próxima, e os apóstolos alimentavam sonhos pessoais de grandeza, de ambição e de poder.

Jesus convida os discípulos a não se deixarem levar por sonhos de ambição, de grandeza, de poder e domínio, mas a fazerem de sua vida um dom de amor e de “serviço”. Mesmo depois da ressurreição continuaram com a mesma mentalidade:

“É agora que vais estabelecer a realeza em Israel ?”

Jesus aproveita a ocasião para ensinar o sentido da autoridade como serviço, não como privilégio, ou discriminação. A procura de privilégios sempre gera conflitos na sociedade. E o poder não assumido como serviço acaba dividindo e discriminando.

– E Jesus apresenta seu exemplo:

O Filho do homem não veio para ser servido,

mas para SERVIR e dar a sua vida em resgate de muitos.

Ao longo da História, todos os povos sacralizavam o poder e divinizavam os reis…

– E na comunidade cristã? Quem são os primeiros?

As palavras de Jesus não deixam qualquer dúvida:

  “quem quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos”.

– Mas com muita frequência imitamos os discípulos…

Achamos que temos o direito a algum tipo de vantagem  e aspiramos a ambições, honras, elogios, homenagens…

– Na comunidade cristã, a única grandeza é a grandeza de quem,  com humildade e simplicidade, faz da própria vida um serviço aos irmãos.

– Na comunidade cristã não há donos, nem grupos privilegiados,   nem pessoas mais importantes do que as outras, nem distinções baseadas no dinheiro, na beleza, na cultura, na posição social…

– Na comunidade cristã há irmãos iguais, a quem a comunidade   confia serviços diversos em vista do bem de todos. Aquilo que nos deve mover é a vontade de servir, de partilhar com os irmãos os dons que Deus nos concedeu.

Só pensamos na glória, não imaginando o sacrifício que acompanharia o Cristo. Ficamos entusiasmados com a ideia de ser colaboradores na obra da redenção. E esquecemos de que colaboração exige participação nos sofrimentos e dores. Todos queremos ocupar os primeiros lugares no Reino de Cristo, e Jesus nos lembra: “Entre vocês não seja assim…” E nos aponta o caminho pela humildade, no serviço ao próximo…

– Como exerço a minha autoridade, em casa, no emprego, na comunidade?

– Como privilégio ou como serviço?